terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Os pobres em espírito: o fio invisível do Reino

Há dias em que as leituras da liturgia parecem conversar entre si com uma clareza quase desconcertante. Não disputam atenção, não se atropelam. Ao contrário: caminham juntas, como se apontassem todas para a mesma direção.

Hoje, essa direção tem nome e atitude: os pobres em espírito.

O profeta Sofonias já anunciava isso séculos antes, em meio a um tempo de juízo e purificação. Ele não fala de um povo numeroso nem poderoso, mas de um remanescente:

“Buscai o Senhor, humildes da terra… procurai a humildade” (Sf 2,3).

“Deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre; no nome do Senhor porá sua esperança o resto de Israel” (Sf 3,12-13).

Não se trata de pobreza econômica como ideal romântico, mas de despojamento interior. Um povo que não se sustenta em si mesmo, que não se apoia na força, na esperteza ou na aparência de justiça. Um povo que espera no Senhor. Esse “punhado” é pequeno, mas é nele que a promessa permanece viva.

O Salmo retoma essa mesma lógica, revelando o rosto de um Deus que governa a partir dos pequenos:

“O Senhor faz justiça aos oprimidos, dá alimento aos famintos, liberta os cativos” (Sl 145[146],7).

“O Senhor ampara a viúva e o órfão, mas confunde os caminhos dos maus” (Sl 145[146],9).

Por isso o refrão não poderia ser outro:

“Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (cf. Mt 5,3).

O Reino não é prometido aos autossuficientes, mas aos que sabem que precisam. Aos que não confundem fé com vantagem, nem Deus com instrumento de poder.

São Paulo, escrevendo aos coríntios, torna isso ainda mais claro — e quase incômodo. Ele desmonta a lógica da glória humana:

“Entre vós não há muitos sábios segundo os critérios humanos, nem muitos poderosos, nem muitos nobres” (1Cor 1,26).

“Deus escolheu o que o mundo considera fraco… o que é desprezado… para que ninguém se glorie diante dele” (1Cor 1,27-29).

Aqui, a pobreza em espírito aparece como antídoto contra a soberba religiosa. Tudo o que somos em Cristo — sabedoria, justiça, santificação e libertação — não é conquista pessoal, mas dom (cf. 1Cor 1,30). Por isso, conclui Paulo:

“Quem se gloria, glorie-se no Senhor” (1Cor 1,31).

É então que o Evangelho segundo Mateus abre o Sermão da Montanha — não com uma ordem, mas com uma revelação:

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3).

Jesus não começa exigindo; começa revelando quem já está dentro do Reino. Os pobres em espírito não são passivos, nem derrotados. São mansos (Mt 5,5), famintos de justiça (Mt 5,6), misericordiosos (Mt 5,7), promotores da paz (Mt 5,9). São perseguidos, mas permanecem fiéis (Mt 5,10-11).

E é significativo que a primeira e a última bem-aventurança terminem da mesma forma:

“Deles é o Reino dos Céus” (Mt 5,3.10).

O Reino começa no despojamento interior e permanece na fidelidade, mesmo quando isso custa caro.

Talvez seja isso que mais incomode: o Reino de Deus não se constrói com os cheios de si, mas com os que aprenderam a esvaziar-se. Não com os que se apoiam no próprio mérito, mas com os que confiam.

No fundo, ser pobre em espírito é isso:

não negociar a consciência,

não absolutizar o poder,

não transformar Deus em justificativa,

não perder a capacidade de depender.

É nesse solo humilde que o Reino cresce — silencioso, resistente, verdadeiro. 

sábado, 17 de janeiro de 2026

O Fim do Teatro: A Verdade de Deus Prevalecerá

 Por mais impressionante que seja o êxito do homem mau, não deixes teu coração ser capturado pela raiva, pelos maus desejos e pela tristeza, pois tudo isso é uma grande mentira. Só eu conheço o íntimo de cada um e sei quais são os seus verdadeiros pensamentos. Acalma a tua alma na minha presença e ora. Mantém viva no teu coração a esperança enquanto anseias que eu passe pela tua vida e mude tudo. Um dia, todo este teatro acabará, a iniquidade será destruída e tu verás como aqueles que confiam em mim viverão e estarão sãos e salvos e transbordarão com as minhas bençãos. Sê paciente! Tudo nessa terra demanda tempo. Estás construindo sobre fundamentos sólidos e não sobre a instabilidade.

- Momento Deus fala ao coração, Padre José Eduardo -

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Quando o Sistema Já Decidiu: Julgamentos que Matam a Verdade

 Aquela multidão não teria gritado “crucifica-o!” se os seus sentimentos não tivessem sido manipulados por influenciadores maliciosos, por líderes malignos, os quais já tinham decidido de antemão qual a sentença daquele julgamento injusto. — Você é capaz de perceber se está sendo manipulado, quando um coro aparentemente uníssono aponta na mesma direção? Você tem condição de sair do teatro e perceber o enredo cínico daqueles que mal conseguem esconder as suas artimanhas? Talvez, quando você abrir os olhos, seja tarde demais para perceber o engano: Caifás quis condenar Jesus por medo de que os romanos pisoteassem Jerusalém, e foi justamente o que aconteceu alguns anos depois, justamente depois que eles condenaram o inocente à morte.

- Momento Deus fala ao coração, Padre José Eduardo -


quinta-feira, 23 de outubro de 2025

A Coragem de Crer em Meio ao Caos

A verdade nunca está com os otimistas delirantes e idealistas nem com os pessimistas catastrofistas, mas na serenidade de reconhecer que o mal existe realmente, e os homens perversos também, mas que a minha mão impõe limites até à arrogância dos oceanos, quanto mais às astúcias dos ímpios. Se fores capaz de me louvar no meio da incerteza, terás descoberto o segredo de passar por qualquer crise com a constância da fé e a firmeza da caridade. Não desanimes nunca!

- Momento Deus fala ao coração, Padre José Eduardo - 

Quando a Alma Riu da Hipocrisia

 Estás cansado de ser uma ilha no meio de um oceano de medíocres. Conheço este seu cansaço de existir… O preço que tens de pagar pela profundidade é o escárnio de quem é raso e vive apenas de fingimentos, de baixezas venenosas, de mansidões traiçoeiras e de humildades arrogantes e ambiciosas. Parece-te não haver saída e essa é a tua angústia. Mas estás enganado! Por que não ris de tudo isso? Não notas que és o único espectador desse teatro patético em que abundam protagonistas e coadjuvantes, desse desfile de ratazanas que se portam como rainhas emproadas? Estás perdendo a chance de gargalhar, pois não há comédia mais satírica do que a que presencias cada dia. Encara as coisas assim e verás que não precisas escutar piadas, elas já acontecem bem diante dos teus olhos.

- Momento Deus fala ao coração, Padre José Eduardo -

sábado, 11 de outubro de 2025

A Chave de Davi e o Poder da Fé Inabalável

Não te preocupes com portas fechadas, eu sou Deus para abrir uma parede e criar uma nova porta para que passes; dou-te a chave de Davi, que abre e ninguém fecha, que fecha e ninguém abre, desde que creias incondicionalmente naquilo que te assegura a minha Palavra. A provação da fé produz paciência, mas precisas entender que quem é provado não és exatamente tu, mas a fé que semeei em ti. Crê contra toda humana esperança, crê mesmo que todos digam o contrário, crê ainda que pareça absurdo. Verás que começo uma nova estação na tua vida, não magicamente, mas porque a tua fé provada tornou-se mais preciosa que o ouro fino, passado ao fogo.

- Momento Deus fala ao coração, Padre José Eduardo -


 

sábado, 6 de setembro de 2025

Tu És Responsável Apenas Por Ti

 Tu não és responsável pelas más escolhas que os outros fizeram nem deves sentir-te mal por dizeres o que pensas, se o fazes com paciência e caridade. Os homens acostumam-se facilmente com a bondade dos outros e não tardam a passar para o abuso. Nunca te esqueças que responderás apenas pelas tuas palavras e obras, mas não pelas loucuras que tentaste evitar com teus conselhos. Os perdidos são muito rápidos em tentar inverter as coisas e fazer-te levar as cargas por todas as inconsequências deles. Hoje venho para declarar-te livre deste peso. Sei da seriedade dos teus compromissos e que lutas por viver uma vida limpa em minha presença.

- Momento Deus fala ao coração, Padre José Eduardo -